ENQUANTO OS E-BOOKS AMEAÇAM OS IMPRESSOS O LP ESTÁ DE VOLTA! ESTRANHO? NÃO!

fevereiro 1, 2010 alexdasilveira Sem comentários

LP da cantora Pitty que estará a venda em 2010

Blogs e sites dos mais diversos gêneros (tecnológicos, de leitura, biblioteconômicos…) vem acompanhando de alguma forma o surgimento dos novos e-readers e muitos até apostam que 2010 será o ano do e-book, mas não com o fim do impresso para este ano, porém, mesmo assim fica uma dúvida com relação ao futuro da mídia impressa.

O BIBLIOTECNO como seu próprio nome diz aborda a biblioteconomia com um toque de tecnologia, ou até mesmo a tecnologia com um toque de biblioteconomia, e por isto vem falando dos mais diversos assuntos, contudo, nos últimos tópicos o espaço para os e-readers cresceu, e cresceu muito. Desde de o início do site é possível verificar que este sempre deu destaque para a crise dos impressos, principalmente os jornais. É normal que se pense que o autor deste blog é um entusiasta da tecnologia, o que realmente sou, e que aposta no fim do livro… vamos com calma.

Certamente os e-readers deverão crescer muito em 2010, pois já temos vários modelos, desde os mais tradicionais até os flexivies, um tablet com direito a loja virtual de livros eletrônicos e uma e-book store brasileira. Mas primeiros deveremos verificar que o livro, os jornais impressos, as revistas demoraram muito para chegar até aqui e não irão querer sair de cena rapidamente. Seria necessário que uma geração inteira morresse para que uma nova entrasse no mercado e abandonassem os livros, mas mesmo assim, aqueles que compõe a geração y, ou geração da internet, que tem familiaridade e são entusiastas das tecnologias mais novas ainda terão contato por muito tempos com as gerações dos livros (chamemos assim as todas as demais gerações) o que manterá “print book” no seu imaginário.

Mas se considerarmos que outros aspectos podem eliminar mídias impressas? Acreditem, estes aspectos existem e são – ou poderão ser – o preço mais baratos dos e-books, uma pressão por questões tecnológicas, informações mais atualizadas e a praticidade. Nesta realidade acredito que vários tipos de publicações existentes hoje em papel poderão desaparecer e eu apostaria nos jornais e revistas, livros técnicos e obras de referência, mas será que este seria o mesmo destino dos livros de literatura? Vamos imaginar a priori que sim, ler trechos de uma matéria publicada no O GLOBO ONLINE de 31/01/2010 e voltar a refletir sobre o assunto novamente.

A volta do vinil: Deckdisc lança quatro discos esta semana – leia a matéria na integra clicando aqui

Marcella Sobral

Em 1998, quando a última grande gravadora brasileira encerrou a produção de discos de vinil, sobraram pouquíssimas fábricas, todas de fundo de quintal. Com o crescimento desenfreado do CD (que hoje, quem diria, é o condenado à morte da vez), elas foram perdendo fôlego e acabaram na bancarrota. A última a fechar as portas foi a Polysom, em Belford Roxo, que deixou de operar em outubro de 2007, após carregar durante anos o título de “única fábrica de vinis da América Latina”.

Mas enquanto o mato crescia pelo terreno de 1.900 metros quadrados na Baixada, o vinil voltava a virar objeto de desejo entre apreciadores de música e colecionadores – basta dizer que, só nos Estados Unidos, as vendas em 2009 chegaram a 2,5 milhões de unidades. E João Augusto, dono da gravadora independente Deckdisc, se interessou em tocar o negócio. Depois de um ano de ajustes, a Polysom foi parar justamente nas mãos do sujeito que decretara o fim da produção em vinil dos títulos da EMI, em 1995, quando era vice-presidente da multinacional. Esta semana, o empresário bota na rua os quatro primeiros discos da nova fornada – “Onde brilham os olhos seus”, de Fernanda Takai; “Fome de tudo”, da Nação Zumbi; “Cinema”, do Cachorro Grande; e “Chiaroscuro”, de Pitty, todos relançamentos da Deckdisc -, e não esconde o orgulho ao mostrar as crias da empreitada.

- Olha a estrutura do disco, tem peso, qualidade. Não está bonito? – pergunta, sabendo que qualquer resposta diferente de sim seria como tirar um doce da boca de uma criança.

Observamos aqui uma mídia analógica que perdeu para a digital e que anos depois ressurge, mas não com a intenção das vendas de outrora, mas devido a paixão, a emoção que esta mídia que surgiu no meio do século passado (antes disto os álbuns não eram de vinil e não eram denominados LPs, mesmo que bem parecidos). E tenham certeza que terão seu publico! Digo por mim, um entusiasta da tecnologia, que mesmo com milhares de músicas em MP3 em seu computador e seu smartfone ainda mantém guardados seus mais de 100 cds e o pouco que conseguiu reunir de lps no longo tempo em que conviveu com ele.

É na minha última frase, numa opinião pessoal, que quero abordar o tema do livro. Como já disse, os jornais, revistas, livros técnicos e obras de referência deverão perder seu espaço, contudo, é difícil dizer o mesmo dos livros de literatura. Comparando a minha opinião pessoal apresentada diria que minha geração ao chegar no mercado de trabalho, e ter poder aquisitivo, nunca comprou um LP, pois estes já não eram rotineiramente vendidos e no meu caso, os únicos que comprei são de uma época pré CD e não somam 10 unidades. Mas minha geração, cujos únicos LPs comprados são poucos e os que ganharam na infância foram esquecidos no tempo, tem em seu imaginários as velhas mídias analógicas carinhosamente chamadas de bolachões e  o mais interessante: a geração y a ter um contato com um LP  tem uma enorme curiosidade.

Não é a volta do LP pois este não é prático, não vale para o dia a dia onde nem mesmo o CD, o DVD de áudio e outros tem espaço. Os arquivos e tocadores ganharam espaço pela sua praticidade, mas em um momento que não necessite de praticidade o LP tem seu espaço, seja pela nostalgia dos mais antigos, das poucas lembranças da minha geração ou pela curiosidade e um certo momento exótico da geração y e das demais que virão.

Quer dizer que o livro então acabará e depois voltará depois para certos momentos? Não, pois os livros estão enraizados na cultura humana a muito mais tempo que os LPs e por isto pode ser que não acabem, mas se houver bastante pressão para seu fim, sempre haverá um livro a ser publicado para um grupo de pessoas ou para um determinado momento de todas as pessoas e aposto que serão os livros de literatura, pois os demais perdem pela praticidade dos meios digitais. Nunca escutei uma pessoa falar do prazer do cheiro de um jornal ao compra-lo na banca ou do odor maravilhoso de um livro técnico, mas em relações aos livros de literatura não faltam depoimentos sobre os sentimentos ao sentir seu cheiro de livro velho ou novo e se o odor ficou no imaginário das pessoas elimina-lo é muito improvável.

Talvez este seja o tópico mais improvável e impensável para se ver no BIBLIOTECNO ao abordar temas como a existência eterna dos livros. Mas se você achou estranho – e concordou  - este texto chegou a sua finalidade pois até para os entusiastas da tecnologia há um espaço para a emoção.

Em um outro mundo distante Ranganathan continua e continuará dizendo: Para cada livro o seu leitor e para leitor o seu livro.

Alex da Silveira




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