AGORA OS TABLETS. JORNAIS PODEM CAUSAR DOR DE CABEÇA PARA PRESERVAÇÃO COM VÁRIOS FORMATOS.

janeiro 27, 2010 alexdasilveira Sem comentários

A crise da imprensa em papel mundial (principalmente a americana) não é novidade e já foi publicado, por diversas vezes, conteúdo sobre o tema. Há poucos dias atrás o Bibliotecno também abordou o tema relacionado as tecnologias existentes (e as que virão) sobre a leitura de conteúdo digital de jornais e revistas e, como sempre, mantivemos preocupações com a questão da preservação. Como indicamos no texto “Os jornais e seus suportes: papel, online, mobile, e-reader e e-Ink (papel eletrônico dobrável). Quem vencerá, qual preservar”  este tipo de conteúdo informativo não apenas se apresenta em diferentes suportes, mas também, em diversos formatos.

Hoje com o lançamento do I-PAD pela Apple pode-se observar que há uma tendência para a exploração do uso dos tablets como leitores digitais (Há pouco tempo, na CES 2010, a Microsoft também apresentou um tablet de um de seus parceiros) e neste caso estamos falando de um novo suporte, porém, a princípio, de um conteúdo similar ao distribuído on-line para PCs de mesa, netbooks e notebooks, será?

Ocorre que no caso da Microsoft tudo indica para a visualização de jornais e revistas online pelo mesmo navegador utilizado em PCs já que o sistema operacional é o mesmo Windows 7, porém, no caso do I-PAD, da apple, o sistema utilizado é baseado no mesmo do I-phone/I-pod e não dos I-macs. Isto tenderia a crer que este tablet é na verdade um I-phone grande, e que por características similares, como o toque em tela, a versão do jornal poderia ser aquele adaptado para smartfones, que tratamos aqui como mobile. O problema é que o conteúdo mobile é projetado para dimensões de tela inferiores, enquanto que o online (tratado aqui como formatação para PCs, notebooks e netbooks) é nitidamente projetado para a navegação com uso de teclado físico e mouse.

A primeira questão desta onda de tablets é se eles irão influenciar na criação de novos formatos para exibição de jornais que já tem formatos para suportes como papel, PCs, smartfones, E-Readers e provavelmente no futuro para papeis eletrônicos (e-Ink). O problema aqui é que um mesmo produto vem ganhando várias roupagens diferentes o que tenderá a gerar problemas relativos a preservação e até mesmo forçarem orgãos responsáveis a manterem a guarda de apenas determinados formatos com fins de memória.  Outro problema é relacionado a metodologia de captura para preservação destes formatos, pois quando este está online o conceito de arquivamento da web parece, em partes, solucionar a questão, contudo, distribuições fechadas para determinados suportes, como o Kindle, não se enquadram neste modelo.

No caso dos tablets a imprensa parece que poderá utilizar o suporte em seu benefício, como publicado no site da revista veja

Pixel Vs. papel Vs. TV - Para atender à nova demanda, a Apple negociou com grandes veículos como New York TimesCondé NastHarperCollins. A ideia da empresa de Steve Jobs é encontrar uma forma mais inteligente de entregar conteúdo aos usuários, o que inclui livros, jornais e revistas. Uma parceria com a Disney e CBS permitirá que os consumidores tenham acesso ao melhor da TV na tela do computador.

A mobilidade, característica primordial dos celulares – e agora dos tablets -, deve beneficiar, em especial, a imprensa. A nova tecnologia permitirá uma transposição midiática inédita, criando uma cultura nova de acesso à informação. A possibilidade de “folhear” jornais e revistas digitais tornará a leitura mais prazerosa e simples e fará com que grandes veículos passem por uma importante adaptação, no que diz respeito a distribuição de conteúdo.”

Porém o modelo de mercado de distribuição deste conteúdo também será determinante no caso da preservação. Nos moldes atuais, utilizados para praticamente todos os jornais online, um webjornal poderia ser capturado para a geração de um arquivo da web, visto que muitas das empresas jornalísticas não consideram estes como um produto para a venda. Porém, o modelo já começa a mudar e muitos jornais já pensam na venda das notícias online e assim poderiam criar maiores problemas legais para a captura.  Esta questão de mercado também tenderá a influenciar na própria existência do jornal impresso, pois a cobrança do conteúdo online elimina uma das vantagens deste em relação ao impresso que é o acesso gratuito.

Deverá ocorrer ainda o surgimento de outros formatos devido a novos suportes até uns tornem-se inviáveis ou sem retorno financeiro suficiente para sua sobrevivência.  Quanto ao orgãos responsáveis por preservar estes conteúdos resta esperar, mas não passivamente. É interessante verificar o andamento do mercado, os impactos causados por novos suportes e formatos ao longo do tempo com a finalidade de se tormar decisões rápidas e diminuir a perda de conteúdo.




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